Parkour:
"Para mim, parkour é um caminho oficial para consquistar seus objetivos", Ryan Doyle, praticante de parkour.
Parkour (por vezes abreviado como PK) ou l'art du déplacement (em português: arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto — e pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam parkour são reconhecidos como traceur e mulheres como traceuses.
Parkour sobre a arquitetura da Turquia
quarta-feira, 28 de março de 2012
Flash Mob:
Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.
O primeiro flash mob brasileiro aconteceu na Avenida Paulista em São Paulo, onde pessoas tiraram seus sapatos e bateram no meio da avenida. Com grande expectativa da mídia por causa dos antecessores estrangeiros, o flash mob acabou sendo alvo de emboscada com pessoas com cartazes "Contra burguês, baixe MP3".
Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.
O primeiro flash mob brasileiro aconteceu na Avenida Paulista em São Paulo, onde pessoas tiraram seus sapatos e bateram no meio da avenida. Com grande expectativa da mídia por causa dos antecessores estrangeiros, o flash mob acabou sendo alvo de emboscada com pessoas com cartazes "Contra burguês, baixe MP3".
Flanêur:
Prática que consiste na observação de todos os aspectos da cidade, até mesmo os que pareçam mais banais à grande parte da população.
Conhecer a história do "flanar" é uma boa maneira de começar a responder estas perguntas. Graças ao poeta francês Charles Baudelaire e ao crítico alemão Walter Benjamin, que viam no flâneur um emblema da modernidade, a figura dele (tratava-se em geral de homens) é associada à Paris do século 19. O flâneur passeava lentamente por ruas e galerias – animadas fileiras de lojas cobertas por telhados de vidro – para cultivar o que Honoré de Balzac chamou de “gastronomia do olhar”.
'' (...) Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar.
(...)Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação
ligado ao da vadiagem.
(...)É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o
inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas
necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. (...)'' (A rua - João do Rio)
Flanêur é uma palavra do francês que pode ser traduzida como ''Flanador'' e usada para se referir a homens com um certo comportamento peculiar. Esse estilo de vida foi assim chamado pelo poeta Charles Baudelaire.
Flanar é vagar pelas ruas não simplesmente caminhando, é andar observando tudo à volta.
O flanêur é um amante das ruas que repara em detalhes que para outros cidadão passam despercebidos. Ele valoriza objetos, lugares, pessoas que o observador comum já não repara, por fazerem parte de uma rotina.
O flanêur é simplesmente uma pessoa que vê o mundo com olhos diferentes da maioria da população, a sua visão é com riqueza de detalhes, e detalhes nas coisas mais simples.
Vídeo: Le Flanêur
Prática que consiste na observação de todos os aspectos da cidade, até mesmo os que pareçam mais banais à grande parte da população.
Conhecer a história do "flanar" é uma boa maneira de começar a responder estas perguntas. Graças ao poeta francês Charles Baudelaire e ao crítico alemão Walter Benjamin, que viam no flâneur um emblema da modernidade, a figura dele (tratava-se em geral de homens) é associada à Paris do século 19. O flâneur passeava lentamente por ruas e galerias – animadas fileiras de lojas cobertas por telhados de vidro – para cultivar o que Honoré de Balzac chamou de “gastronomia do olhar”.
'' (...) Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar.
(...)Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação
ligado ao da vadiagem.
(...)É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o
inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas
necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. (...)'' (A rua - João do Rio)
Flanêur é uma palavra do francês que pode ser traduzida como ''Flanador'' e usada para se referir a homens com um certo comportamento peculiar. Esse estilo de vida foi assim chamado pelo poeta Charles Baudelaire.
Flanar é vagar pelas ruas não simplesmente caminhando, é andar observando tudo à volta.
O flanêur é um amante das ruas que repara em detalhes que para outros cidadão passam despercebidos. Ele valoriza objetos, lugares, pessoas que o observador comum já não repara, por fazerem parte de uma rotina.
O flanêur é simplesmente uma pessoa que vê o mundo com olhos diferentes da maioria da população, a sua visão é com riqueza de detalhes, e detalhes nas coisas mais simples.
Vídeo: Le Flanêur
Deriva:
Propõe uma apropriação do espaço urbano que não siga apenas os limites físicos do espaço, assim como estuda a motivação psicológica para o deslocamento civil.
Teoria da deriva, de Guy Debord
em 1923 por 4 surrealistas a partir de uma cidade tirada à sorte: a “errança” tediosa pelo
campo é evidentemente deprimente, e as intervenções do acaso aí são tão pobres quanto
jamais. Mas a irreflexão é levada muito mais longe em Médium (maio de 1954), por um
certo Pierre Vendryes que crê poder assimilar desta anedota - porque tudo isso
participaria de uma mesma liberação antideterminista - algumas experiências
probabilistas...
Às antípodas dessas aberrações, o caráter principalmente urbano da deriva, no contato
com centros de possibilidades e de significações que são as grandes cidades
transformadas pela indústria, responderia melhor através da frase de Marx: “Os homens
não podem nada ver entorno deles, que não seja seu rosto, tudo lhe fala deles mesmos.
Sua própria paisagem é animada.”
Pode-se derivar sozinho, mas tudo indica que a repartição numérica a mais frutífera
consiste em muitos pequenos grupos de 2 ou 3 pessoas chegando a uma mesma tomada
de consciência, o recorte das impressões desses diferentes grupos devendo permitir
conclusões objetivas. É desejável que a composição desses grupos mude de uma deriva
a outra. Acima de 4 ou 5 participantes, o caráter próprio a deriva decresce rapidamente,
e em todo acaso é impossível superar a dezena sem que a deriva se fragmente em muitas
derivas dirigidas simultaneamente. A prática deste último movimento é, aliás, de um
grande interesse, mas as dificuldades que ele desencadeia não permitiram até o presente
organizá-lo com amplitude desejável.
A duração média de uma deriva é um dia, considerado como o intervalo de tempo
compreendido entre dois períodos de sol. Os pontos de partida e chegada, no tempo, em
relação ao dia solar, são indiferentes, mas é preciso notar, entretanto, que as últimas
horas da noite são geralmente impróprias para a deriva.
Esta duração média da deriva não tem senão um valor estatístico. Logo ela se apresenta
diferente de sua pureza, os interessados evitando dificilmente, no começo ou no fim
deste dia, de se distrair uma ou duas horas para empregá-las em ocupações banais; no
fim do dia a fadiga contribui muito a este abandono. Mas, sobretudo, a deriva se
desenvolve frequentemente em algumas horas deliberadamente fixadas, ou mesmo
fortuitamente durante muitos breves instantes, ou ao contrário durante muitos dias sem
interrupção. Apesar das paradas impostas pela necessidade de dormir, certas derivas
com uma intensidade suficiente são prolongadas por 3 a 4 dias, mesmo mais que isto. É
verdade que no caso de uma sucessão de derivas, durante um longo período, é quase
impossível determinar com alguma precisão o momento em que o estado de espírito
próprio de uma deriva dá lugar a de outra...
A influência das variações do clima sobre a deriva, embora real, não é determinante
senão no caso de chuvas prolongadas, que a impedem quase absolutamente. Mas as
trovoadas ou as outras espécies de precipitações aí são ao contrário propícias.
O campo espacial da deriva é mais ou menos preciso ou vago se esta atividade visa,
sobretudo, ao estudo de um terreno ou aos resultados afetivos surpreendentes. É
preciso não negligenciar o fato que estes dois aspectos da deriva apresentam múltiplas
interferências e que é impossível isolar um do outro em estado puro. Mas o uso dos
táxis, por exemplo, fornece uma linha de repartição muito clara: se no curso de uma
deriva toma-se um táxi, seja para destinação precisa, seja para se deslocar 20 minutos
em direção a oeste, é porque o que está importando é a mudança (pessoal). Se se atém à
exploração direta de um terreno, privilegia-se a pesquisa de um urbanismo
psicogeográfico.
Em todos os casos o campo espacial é antes função das bases de partida constituídas,
pelos sujeitos isolados, por seu domicílio e pelos grupos, pelos pontos de reunião
escolhidos. A extensão máxima deste campo espacial não ultrapassa o conjunto da
cidade e suas periferias. Sua extensão mínima pode ser limitada a uma pequena unidade
de ambiente: um único bairro...
A exploração de um campo espacial fixado supõe então o estabelecimento de bases
e o cálculo das direções de penetração. É aqui que intervém o estudo das cartas, tanto comuns, como ecológicas ou psicogeográficas, a retificação ou melhora dessas cartas. É
necessário dizer que o gosto do bairro em si mesmo desconhecido, jamais percorrido,
não intervém em nada? Além de sua insignificância, este aspecto do problema é a rigor
subjetivo e não subsiste por muito tempo.
A parte da exploração ao contrário é mínima, em relação àquela de um comportamento
desconcertante, no “encontro possível”. O sujeito se recolhe ou é invocado a
permanecer só numa hora que é determinada num lugar que se lhe é fixado. Ele é
invadido por penosas obrigações do encontro ordinário (comum), porque não há
ninguém a esperar. Entretanto, este “encontro possível” tendo-o levado ao imprevisto
em um lugar que ele pode conhecer ou ignorar, ele observa dele os arredores...Ele pode
não encontrar ninguém ou encontrar por acaso aquele que fixou o “encontro possível”.
De qualquer maneira, e, sobretudo, se o lugar e a hora foram bem escolhidos, o emprego
do tempo do sujeito aí tomará uma evolução imprevista...
Assim o modo de vida pouco coerente e mesmo certas brincadeiras reputadas como
duvidosas, que sempre estiveram presentes em nós, como, por exemplo, se introduzir de
noite em casas em demolição [...] errar nos subterrâneos das catacumbas que estão
interditados ao público, trazem um sentimento mais geral que não é outro senão o
sentimento da deriva. O que se pode escrever vale somente como senhas neste grande
jogo.
Os ensinamentos da deriva permitem estabelecer os primeiros levantamentos das
articulações psicogeográficas de uma cidade moderna. Para além do reconhecimento
das unidades ambientais, de seus componentes principais e de sua localização espacial,
percebem-se seus eixos principais de passagem, suas saídas e suas proibições
(interdições) Chega-se à hipótese central da existência de camadas desviantes
psicogeográficas. Medem-se as distâncias que separam efetivamente duas regiões de
uma cidade, e que não têm medida comum com o que faz crer uma visão aproximativa
de um plano. Pode-se levantar, com a ajuda de velhas cartas, de vistas fotográficas
aéreas, e de derivas experimentais, a uma cartografia “influencial”, que falta até o
presente [...] (o que é pior já que não se trata mais de delimitar precisamente os
continentes duráveis, mas mudar a arquitetura e o urbanismo).
As diferentes unidades de atmosfera e de habitação, hoje, não se sobressaem
exatamente, mas estão cercadas de margens fronteiriças mais ou menos extensas. A
mudança, a mais geral, que a deriva conduz a propor, é a diminuição constante dessas
margens de fronteiras, até a sua supressão completa.
Mesmo na arquitetura, o gosto da deriva leva a preconizar toda sorte de novas formas do
labirinto, que as possibilidades modernas de construção favorecem..
Propõe uma apropriação do espaço urbano que não siga apenas os limites físicos do espaço, assim como estuda a motivação psicológica para o deslocamento civil.
Teoria da deriva, de Guy Debord
Entre os diversos procedimentos situacionistas, a deriva se apresenta como uma técnica
da passagem ativa através dos variados ambientes. O conceito de deriva está
indissoluvelmente ligado ao conhecimento dos efeitos de natureza psicogeográfica, e à
afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que o opõe em todos os pontos
às noções clássicas de viagem e de passeio.
Uma ou mais pessoas se entregando à deriva renunciam, por uma duração mais ou
menos longa, às razões de se deslocar e de agir que elas conhecem geralmente, às
relações, aos trabalhos e aos lazeres que lhe são próprios, para se deixar ir por
solicitações do terreno e dos encontros que lhe correspondem. A parte do aleatório é
aqui menos determinante que se crê: do ponto de vista da deriva, existe um relevo
psicogeográfico das cidades, com correntes constantes, pontos fixos, e turbilhões que
tornam o acesso ou a saída de certas zonas muito difíceis.
Mas a deriva, na sua unidade, compreende ao mesmo tempo este se deixar levar e sua
contradição necessária: a dominação das variações psicogeográficas pelo conhecimento
e o cálculo de suas possibilidades. Sob este último aspecto, os dados postos em
evidência pela ecologia, e tão limitado quanto possa ser a priori o espaço social, cujo
estudo esta ciência se propõe, não deixam de sustentar utilmente o pensamento
psicogeográfico
A análise ecológica do caráter absoluto ou relativo das divisões ou cortes do tecido
urbano, do papel dos micro-climas, das unidades elementares inteiramente distintas
referentes aos bairros administrativos, e, sobretudo, da ação dominante de centros de
atração, deve ser utilizada e completada pelo método psicogeográfico. O terreno
passional objetivo onde se move a deriva deve ser definido ao mesmo tempo segundo
seu próprio determinismo e segundo suas relações com a morfologia social.
Chombart de Lauwe no seu estudo sobre “Paris e a aglomeração parisiense” (1952) nota
que “um bairro urbano não está determinado somente pelos fatores geográficos e
econômicos mas pela representação que seus habitantes e aqueles dos outros bairros têm
a respeito dele”; e apresenta na mesma obra - para mostrar “a estreiteza de Paris real na
qual vive cada indivíduo...geograficamente um quadro cujo raio é extremamente
pequeno” - o traçado de todos os percursos efetuados em um ano por uma estudante de
um dos bairros de Paris; estes percursos desenham um triângulo de dimensão reduzida,
sem escapadelas (sem mistérios), cujos três picos são a Escola de Ciências Políticas, o
domicílio da jovem e aquele do professor de piano.
Não há dúvida que tais esquemas, exemplos de uma poesia moderna suscetível de
desencadear vivas reações afetivas - neste caso, a indignação de que seja possível viver
desta forma -, ou mesmo a teoria, avançada por Burgess à propósito de Chicago, da
repartição das atividades sociais em zonas concêntricas definidas, não devem servir aos
progressos da deriva
O acaso tem na deriva um papel mais importante quando a observação psicogeográfica
não está ainda assegurada. Mas a ação do acaso é naturalmente conservadora e tende,
num novo quadro, a tudo levar à alternância de um número limitado de variantes e ao
hábito. O progresso não sendo jamais senão a ruptura de um dos campos onde se exerce
o acaso, pela criação de novas condições mais favoráveis a nossos desenhos, pode-se
dizer que os acasos da deriva são essencialmente diferentes daqueles do passeio, mas
que os primeiros apelos (simpatias) psicogeográficos descobertos correm o risco de
fixar o sujeito ou o grupo em torno de novos eixos habituais, onde tudo os reduz
constantemente.
Uma insuficiente desconfiança com relação ao acaso, e seu emprego ideológico sempre
reacionário, condenou a um fracasso morno a célebre caminhada sem objetivo tentada em 1923 por 4 surrealistas a partir de uma cidade tirada à sorte: a “errança” tediosa pelo
campo é evidentemente deprimente, e as intervenções do acaso aí são tão pobres quanto
jamais. Mas a irreflexão é levada muito mais longe em Médium (maio de 1954), por um
certo Pierre Vendryes que crê poder assimilar desta anedota - porque tudo isso
participaria de uma mesma liberação antideterminista - algumas experiências
probabilistas...
Às antípodas dessas aberrações, o caráter principalmente urbano da deriva, no contato
com centros de possibilidades e de significações que são as grandes cidades
transformadas pela indústria, responderia melhor através da frase de Marx: “Os homens
não podem nada ver entorno deles, que não seja seu rosto, tudo lhe fala deles mesmos.
Sua própria paisagem é animada.”
Pode-se derivar sozinho, mas tudo indica que a repartição numérica a mais frutífera
consiste em muitos pequenos grupos de 2 ou 3 pessoas chegando a uma mesma tomada
de consciência, o recorte das impressões desses diferentes grupos devendo permitir
conclusões objetivas. É desejável que a composição desses grupos mude de uma deriva
a outra. Acima de 4 ou 5 participantes, o caráter próprio a deriva decresce rapidamente,
e em todo acaso é impossível superar a dezena sem que a deriva se fragmente em muitas
derivas dirigidas simultaneamente. A prática deste último movimento é, aliás, de um
grande interesse, mas as dificuldades que ele desencadeia não permitiram até o presente
organizá-lo com amplitude desejável.
A duração média de uma deriva é um dia, considerado como o intervalo de tempo
compreendido entre dois períodos de sol. Os pontos de partida e chegada, no tempo, em
relação ao dia solar, são indiferentes, mas é preciso notar, entretanto, que as últimas
horas da noite são geralmente impróprias para a deriva.
Esta duração média da deriva não tem senão um valor estatístico. Logo ela se apresenta
diferente de sua pureza, os interessados evitando dificilmente, no começo ou no fim
deste dia, de se distrair uma ou duas horas para empregá-las em ocupações banais; no
fim do dia a fadiga contribui muito a este abandono. Mas, sobretudo, a deriva se
desenvolve frequentemente em algumas horas deliberadamente fixadas, ou mesmo
fortuitamente durante muitos breves instantes, ou ao contrário durante muitos dias sem
interrupção. Apesar das paradas impostas pela necessidade de dormir, certas derivas
com uma intensidade suficiente são prolongadas por 3 a 4 dias, mesmo mais que isto. É
verdade que no caso de uma sucessão de derivas, durante um longo período, é quase
impossível determinar com alguma precisão o momento em que o estado de espírito
próprio de uma deriva dá lugar a de outra...
A influência das variações do clima sobre a deriva, embora real, não é determinante
senão no caso de chuvas prolongadas, que a impedem quase absolutamente. Mas as
trovoadas ou as outras espécies de precipitações aí são ao contrário propícias.
O campo espacial da deriva é mais ou menos preciso ou vago se esta atividade visa,
sobretudo, ao estudo de um terreno ou aos resultados afetivos surpreendentes. É
preciso não negligenciar o fato que estes dois aspectos da deriva apresentam múltiplas
interferências e que é impossível isolar um do outro em estado puro. Mas o uso dos
táxis, por exemplo, fornece uma linha de repartição muito clara: se no curso de uma
deriva toma-se um táxi, seja para destinação precisa, seja para se deslocar 20 minutos
em direção a oeste, é porque o que está importando é a mudança (pessoal). Se se atém à
exploração direta de um terreno, privilegia-se a pesquisa de um urbanismo
psicogeográfico.
Em todos os casos o campo espacial é antes função das bases de partida constituídas,
pelos sujeitos isolados, por seu domicílio e pelos grupos, pelos pontos de reunião
escolhidos. A extensão máxima deste campo espacial não ultrapassa o conjunto da
cidade e suas periferias. Sua extensão mínima pode ser limitada a uma pequena unidade
de ambiente: um único bairro...
A exploração de um campo espacial fixado supõe então o estabelecimento de bases
e o cálculo das direções de penetração. É aqui que intervém o estudo das cartas, tanto comuns, como ecológicas ou psicogeográficas, a retificação ou melhora dessas cartas. É
necessário dizer que o gosto do bairro em si mesmo desconhecido, jamais percorrido,
não intervém em nada? Além de sua insignificância, este aspecto do problema é a rigor
subjetivo e não subsiste por muito tempo.
A parte da exploração ao contrário é mínima, em relação àquela de um comportamento
desconcertante, no “encontro possível”. O sujeito se recolhe ou é invocado a
permanecer só numa hora que é determinada num lugar que se lhe é fixado. Ele é
invadido por penosas obrigações do encontro ordinário (comum), porque não há
ninguém a esperar. Entretanto, este “encontro possível” tendo-o levado ao imprevisto
em um lugar que ele pode conhecer ou ignorar, ele observa dele os arredores...Ele pode
não encontrar ninguém ou encontrar por acaso aquele que fixou o “encontro possível”.
De qualquer maneira, e, sobretudo, se o lugar e a hora foram bem escolhidos, o emprego
do tempo do sujeito aí tomará uma evolução imprevista...
Assim o modo de vida pouco coerente e mesmo certas brincadeiras reputadas como
duvidosas, que sempre estiveram presentes em nós, como, por exemplo, se introduzir de
noite em casas em demolição [...] errar nos subterrâneos das catacumbas que estão
interditados ao público, trazem um sentimento mais geral que não é outro senão o
sentimento da deriva. O que se pode escrever vale somente como senhas neste grande
jogo.
Os ensinamentos da deriva permitem estabelecer os primeiros levantamentos das
articulações psicogeográficas de uma cidade moderna. Para além do reconhecimento
das unidades ambientais, de seus componentes principais e de sua localização espacial,
percebem-se seus eixos principais de passagem, suas saídas e suas proibições
(interdições) Chega-se à hipótese central da existência de camadas desviantes
psicogeográficas. Medem-se as distâncias que separam efetivamente duas regiões de
uma cidade, e que não têm medida comum com o que faz crer uma visão aproximativa
de um plano. Pode-se levantar, com a ajuda de velhas cartas, de vistas fotográficas
aéreas, e de derivas experimentais, a uma cartografia “influencial”, que falta até o
presente [...] (o que é pior já que não se trata mais de delimitar precisamente os
continentes duráveis, mas mudar a arquitetura e o urbanismo).
As diferentes unidades de atmosfera e de habitação, hoje, não se sobressaem
exatamente, mas estão cercadas de margens fronteiriças mais ou menos extensas. A
mudança, a mais geral, que a deriva conduz a propor, é a diminuição constante dessas
margens de fronteiras, até a sua supressão completa.
Mesmo na arquitetura, o gosto da deriva leva a preconizar toda sorte de novas formas do
labirinto, que as possibilidades modernas de construção favorecem..
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